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- Quando é demais. Todo mundo tem manias.
- Você já fez alguma cena de cíume?

- Você já sentiu inveja da pessoa amada?
- Quando as palavras ferem.
- Como lidar com a morte
.
- Repetência: a grande culpada.
- Sucesso na aprendizagem fortalece o aluno para a vida.
- Como lidar com o climatério.
- O sexo acaba com o casamento?
- Ensinar bem...é saber elogiar.
- O que você espera deles?
- Psicoterapia: Remédio para a alma.

- Um pra lá, dois pra cá.

- Brincadeira é coisa séria.
- Mito atrapalha desejo sexual.
- Sem memória não há aprendizagem.


Você já fez alguma cena de ciúme?

Por Regina Navarro Lins, psicanalista e sexóloga.
Publicado no Diário do Grande ABC
em 01/08/2004.


Recebi o seguinte e-mail de uma leitora: “Meu marido chegou atrasado em casa, quando tínhamos uma festa nos esperando. Enquanto ele tomava banho, recolhi sua cueca e vi que estava suja de sêmen. Fui sozinha à festa e depois ele chegou. Quando o vi, bati na cara dele na frente de todos. Ele revidou e foi aquela baixaria...”
“Como será que homens e mulheres reagem quando algo semelhante acontece? Pensando nisso, lancei a pergunta no meu site: “Você já fez alguma cena de ciúme? Como foi?” O placar foi: 84% responderam Sim ; 16% , Não. Pelo jeito, a maioria das pessoas já perdeu a cabeça com medo de perder o parceiro. Selecionei algumas respostas:
“Num restaurante, meu namorado olhou para uma garota que passava (mais precisamente para a sua bunda). Como percebi e já estava meia alta, levantei-me e joguei o resto do vinho de minha taça nas pernas dele...”
“Quando vi minha namorada ser olhada várias vezes por outro cara, gritei, esbravejei, xinguei e fui embora.”
“Meu namorado estava comigo numa festa e depois chegou sua ex-namorada. Fiquei super na minha e segura. Porém, em determinada hora, vi-o conversando animadamente com ela. Imaginei que estavam combinando um encontro. Quebrei o maior pau com ele. Pela reação dele e, pelo seu modo de ser, vi que não era nada daquilo, fiquei muito sem graça; perdi a espontaneidade. E como todo mundo sente a energia do ambiente, a ex dele passou a ser a segura da festa.”
“Foi durante uma festa de casamento. Percebi que o garçon, que estava nos servindo, olhava de maneira indiscreta e lasciva para a minha namorada. Fiz uma cena que jamais imaginei que faria. Hoje tento me controlar mais. É uma situação terrível e constrangedora, ao mesmo tempo que é quase incontrolável.”
“Estávamos em um baile e uma moça bêbada veio pedir para o meu noivo dobrar a manga da blusa dela e começou a cercá-lo num canto da parede. Ele ficou super sem graça e eu enfiei as unhas no braço dela e gritei: “larga”.. Hoje me arrependo, tenho até vergonha disso, mas na hora é incontrolável!”
“Fomos a um shopping no sábado à tarde, para comprar tênis para o nosso caçula. Eu fiquei vendo umas lojas, e o meu marido foi com as crianças para a loja de tênis. Quando cheguei lá, ele estava pagando a compra e a vendedora e a caixa se derramavam em cima dele, brincando, rindo, pedindo telefone. Eu já entrei furiosa, dando o maior vexame, perguntando se ele tinha encontrado alguma amiga de infância da minha sogra.

 

A caixa ainda teve a cara-de-pau de explicar: ‘Desculpe, dona, é que sábado é dia dos pais descasados fazerem compras para os filhos e como o seu gato estava sozinho, a gente achou que podia atacar...’ Depois, ainda agüentei muita reclamação dele e risadas das crianças.”
Poucas pessoas não consideram o ciúme como parte do amor. Há quem acredite que sem ele não exista o sentimento. Essa é mais uma daquelas afirmações que as pessoas repetem, sem nem saber bem por quê. Por ciúme se aceitam os mais verdadeiros tipos de violência contra o outro, sempre justificados. Penso que qualquer atitude ciumenta é um desrespeito à liberdade do outro.
A visão equivocada do ciúme na relação amorosa, origina-se da forma como o adulto vive o amor – muito semelhante à relação amorosa entre a criança pequena e a mãe. A criança sempre se sente ameaçada de perder o amor da mãe, mas ela tem um motivo real para isso: necessita de cuidados físicos e emocionais. Sem esse amor, ela perde o referencial na vida e fica vulnerável à morte física. Para se garantir, deseja a mãe só para si e, então, se mostra controlada, possessiva e ciumenta.
Porém, quando crescem, todos imaginam que se tornaram independentes. Basta, no entanto, entrarem numa relação amorosa para, por meio da pessoa amada, tentarem resolver todas as necessidades infantis que pareciam superadas. O antigo medo infantil do abandono reaparece, e em tudo se reedita o modelo de vínculo primário que havia com a mãe. Acrescente-se a isso as idéias tão propaladas na nossa cultura de que o amor é a solução para todos os problemas, e o convívio amoroso a única forma de atenuar o desamparo. A pessoa amada passa a ser imprescindível. Como se fosse natural, aceita-se que o controle, a possessividade e o ciúme façam parte do amor.
O ciumento, geralmente, é quem apresenta duas características fundamentais: baixa auto-estima e incapacidade de ficar bem sozinho. Quem é inseguro, não se acha possuidor de qualidades e tem uma imagem desvalorizada de si próprio, teme ser trocado por outro a qualquer momento. Para evitar isso, restringe a liberdade do parceiro e tenta controlar suas atitudes. Só quem acredita ser uma pessoa importante não sente ciúme. Sabe que ninguém vai dispensá-lo com tanta facilidade. E se tiver desenvolvido a capacidade de ficar bem sozinho, sem depender de uma relação amorosa, melhor ainda. Pode até sofrer em caso de separação, mas tem certeza de que a vida continua.

 

Você já sentiu inveja da pessoa amada?

Por Regina Navarro Lins, psicanalista e sexóloga.
Publicada no Diário do Grande
ABC em 11/07/2004.


Suzana, 35 anos, é casada com Paulo há oito anos; ambos são médicos. A relação nunca foi muito fácil devido à competição do marido com ela e às constantes críticas que ele faz. Há três meses, Suzana procurou psicoterapia por estar em dúvida quanto à manutenção do casamento. “Paulo sempre tentou me derrubar. No início do casamento não dava para perceber muito, porque eu tinha acabado de me formar e ainda não tinha emprego. Na medida em que fui melhorando na profissão, nossa vida começou a piorar. Se penso em fazer um novo concurso ele sempre arranja um jeito de me desestimular. Quando decidi dividir um consultório com um colega, ele colocou todos os defeitos e me apavorou com a idéia de que eu não conseguiria clientes e só teria despesas. Sem contar as críticas que faz pelo meu jeito de ser, diz que sou comunicativa em excesso. Somos diferentes em muitos aspectos, mas o problema é que o tempo todo tenho que fazer um grande esforço para não me sentir diminuída e com a auto-estima abalada. Agora ele deu até para inventar que estou com celulite. Acho que não dá mais.”
Às vezes conhecemos duas pessoas que vivem juntas, mas são tão diferentes entre si! Será que conseguem se entender? Como será o cotidiano delas? Aí lembramos que sempre ouvimos dizer que os opostos se atraem. Mas será que essa lei da física também pode ser aplicada ao relacionamento humano? Não creio. Pensando nessa questão e na história de Suzana, lancei no meu site a pergunta: Você já sentiu inveja da pessoa amada? Por que?
O placar foi o seguinte: 43% das pessoas responderam que SIM e 57%, NÃO. Algumas das pessoas que declararam sentir inveja disseram:
“Sinto inveja por ela ser muito mais independente de mim do que eu dela.”
“Sinto uma inveja saudável, por exemplo porque ele tem mais estudo do que eu. E mesmo fisicamente está melhor pelo seu ângulo de visão, mas é muito boa esta inveja porque ela também nos motiva a crescer e querer estar cada dia mais próxima do seu ideal, cada dia mais compatível com seu parceiro.”
“Gostaria de ser tão desinibida quanto ele. Sou tímida e tenho dificuldade de fazer amigos.”
“Quase morro de inveja pelo fato de ele poder comer de tudo e não engordar. Tenho de estar sempre atenta porque já fui muito gorda e agora me cuido, com grande sacrifício.”
“Tudo o que eu queria na vida era ser inteligente e culto como a minha namorada. Tenho orgulho dela, mas confesso que, às vezes, fico exasperado quando ela me explica alguma coisa.”

 

“Ela chega a ser irritante. Está sempre de bom astral e resolve seus problemas com a maior tranqüilidade. Parece que nada a deixa mal.”
É possível que as pessoas se encantem por outras que possuem características de personalidade que elas não têm e gostariam de ter. A minha dúvida é se em uma relação entre pessoas tão diferentes há espaço para trocas verdadeiramente satisfatórias, ou seja, se é viável uma vida a dois estimulante.
Quando um homem muito tímido e inseguro se casa com uma mulher extrovertida, falante, cheia de amigos, o que pode acontecer à vida deles? À primeira vista só coisas boas, claro. Ela possui o que falta a ele e, portanto, pode ajudá-lo a ser mais comunicativo, se soltar mais, conhecer mais pessoas.
Pense bem, um complementa o outro. Esse encaixe parece ser a solução perfeita. Além do tímido e da extrovertida, conhecemos também o decidido e a indecisa, o animado e a deprimida, o alienado e a sabe-tudo, a corajosa e o medroso, dentre outros. Sem contar que existem várias outras diferenças sutis, difíceis de serem percebidas.
Mas na maioria dos casos essa situação é bem mais complicada do que parece e surgem problemas. O primeiro deles é a acomodação, que impede o crescimento pessoal. O indeciso acaba deixando o outro resolver todas as questões que necessitem de decisão, não se empenhando para modificar o que não gosta em si próprio.
No amor entre duas pessoas diferentes há um incoveniente mais sério e bastante comum: a inveja. Há quem diga até que a inveja nasce imediata e espontaneamente da admiração. Será que quando admiramos e nos encantamos tanto por alguém oposto a nós estamos realmente satisfeitos com o que somos? O invejoso admira o invejado, desejaria estar em seu lugar, ser como ele é e não consegue. O pior é quando o invejoso, não suportando sua própria inveja, passa a depreciar o outro, justamente os aspectos que gostaria de possuir. Ou então, o que também ocorre com freqüência, sutilmente sabota as realizações do parceiro, numa tentativa desesperada de diminuir seu sentimento de inferioridade.
A inveja não se manifesta na fase do encantamento apaixonado, por mais diferentes que as pessoas sejam. O que elas vivenciam é a ilusão da fusão romântica, em que os dois se transformam num só. Nesse momento não se deseja nada do outro além do seu amor. Contudo, esse período inicial de paixão não resiste à convivência cotidiana. Portanto, quando a inveja surge, é um sinal de que o encantamento chegou ao fim


Quando as palavras ferem

Por Luciana Bugni
Publicada no Diário do Grande
ABC em 06/02/2005.

Quem pensa que aquele apelido dado pelos colegas de infância não passa de um leve incômodo, está enganado, as palavras ouvidas na infância e adolescência pode representar muito do que a pessoa é quando adulta: de tanto serem repetidas, as pessoas, estereotipadas de modo errado, acabam como vítimas de microtraumas. Para conscientizar que as palavras podem machucar, a psicóloga Magda Sant´Anna Cabral Pearson acaba de lançar Pau Pau, Pedra, Pedra. As Palavras Não me Ferirão... e como Ferem! (Editora Livro Pleno, 70 páginas, R$ 18), título tirado de uma cantiga escocesa.
“As pessoas ficam dentro de um tipo de bolha, escondidos de si, após tanto ouvirem palavras agressivas, mesmo que proferidas de forma inocente, formam um tipo de casca que os impede de se encontrar. Mas, se essa casca for estourada, lá estamos nós”, diz a autora. A idéia de escrever o livro surgiu quando Magda percebeu que os pacientes tinham um vazio que não se resolvia nas sessões de terapia. A proposta é facilitar o reencontro das pessoas com o que elas realmente são, que pode ter ficado para trás por mágoa.Se diz popularmente que é mais fácil esquecer um tapa ou uma agressão física do que palavras que causam vergonha e fazem com que as pessoas se sintam hostilizadas.



 
“Quem tem apelidos quando criança pode se sentir perseguido quando adulto e ter dificuldades devido aos traumas.’O perigo maior é que esse tipo de ressentimento não é levado a sério e os pais não percebem sua gravidade. “Normalmente a pessoa evita pensar no assunto que traz vergonha, mas quando esclarece o que incomoda, tem de resolver: é possível lembrar do fato, de forma positiva. Há pessoas que têm a estrutura necessária para fazer isso sozinhas, outras precisam de ajuda terapêutica”, aconselha.
Escola - As crianças rotuladas como gordinhas ou fraquinhas se sentem acuadas e passam a agredir os outro colegas. Para evitar que isso aconteça, é responsabilidade dos pais conversar e possibilitar que os pequenos tenham boa estrutura para trabalhar a própria imagem. “Os microtraumas vão formando feridas ao longo da vida, que ficam expostas e são facilmente abertas: é preciso cuidar no início”, alerta. Ao perceber que algum problema desse tipo está sendo vivenciado pelos filhos na escola, é importante conversar com a orientação do colégio e ouvir a criança, que precisa se sentir a vontade na instituição.
Como lidar com a morte
Meu aluno perdeu o pai. Devo tocar no assunto com ele? O que falar para a turma?

Por: Marli da Silva
Publicada na Revista Nova Escola – Junho/Julho 2003

Discutir a morte não é tarefa fácil nem para a família nem para a escola. São raros os pais que educam os filhos para enfrentar as perdas, como são raras as escolas que incentivam discussões sobre o tema. Acredita-se que o tempo se encarregará de ensinar. Não pode ser assim. É preciso falar que nossa existência é finita. “Eis uma ótima oportunidade para debater questões filosóficas e deixar que a turma construa conceitos como o que é a vida ou a morte”, sugere a psicóloga Ana Cássia Maturano
O assunto deve ser tratado de forma aberta. Desde os 2 anos, a criança é capaz de entender a perda: um animal de estimação que foge, a ausência dos pais e a morte em desenhos animados. Porém, até os 4 anos ela tem a idéia de que isso é reversível. O sentimento de angústia é observado nos desenhos que os pequenos produzem e na maneira como brincam com os colegas
Ao receber o aluno, diga que você sabe que ele perdeu uma pessoa querida e que está à disposição para conversar. Acolher e dar carinho são os melhores remédios nessa hora. Mostre que a morte não é um castigo, mas um acontecimento natural. Não reduza a gravidade do momento dizendo que a pessoa agora está no céu, foi viajar ou virou uma estrela. “Explicações mágicas impedem que o aluno faça perguntas, criam angústias e mascaram o problema”, afirma Maria Helena Pereira Franco, psicóloga e coordenadora do Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. E fique atento nas reações do estudante (veja no quadro abaixo). Tristeza e queda no rendimento escolar são naturais. Seja paciente e cautelosa ao cobrar um melhor desempenho.

Reações de luto
Após o trauma pela morte de uma pessoa próxima, a criança ou o jovem pode apresentar mudanças no seu comportamento. Veja quais são as reações mais comuns.

Nos pequenos:
- Queda no rendimento escolar;
- Agressividade e insegurança;
- Euforia e estado de fantasia;
- Tristeza, depressão e medo;
- Excesso ou ausência de sono e fome;
- Sentimento de abandono e culpa;
- Desejo de se isolar;
- Queixas de dores no corpo e de cansaço.

Nos adolescentes:
- Raiva contra a pessoa falecida, amigos, professores e até contra si mesmo;
- Confusão mental e desatenção;
- Queda da auto-estima;
- Desinteresse pelos amigos, pelas atividades escolares e pela vida;
- Pessimismo e sentimento de culpa;
- Ansiedade e crises de angústia;
- Solidão e fadiga;
- Agressividade e uso de drogas e álcool.



Quando é demais
Todo mundo tem manias. Porém, quando elas se tornam repetitivas demais, é hora de buscar ajuda médica.

Por Ivanilde Sitta
Publicada na revista da COOP - Janeiro 2005

O designer gráfico Rodrigo Araújo pode estar atrasado, mas antes de sair de casa nunca deixa de revisar várias vezes se trancou todas as portas e janelas. Às vezes, mesmo quando já está dentro do carro, retorna à residência para fazer a conferência. A secretária executiva Tânia Rodrigues tem a mesma mania. Já chegou a perder mais de três horas nesse ritual. Ela tenta se controlar, mas sempre cede à compulsão de checar tudo novamente por medo de falhar com a segurança. Sabe o que diferencia um caso do outro?
Para Rodrigo, trata-se de uma simples mania, assim como muita gente tem o hábito de só levantar com o pé direito, ou dar três batidinhas na madeira para afastar o azar. São comportamentos que não comprometem a vida de ninguém. Para Tânia, porém, é doença, denominada pela medicina de Transtorno Obsessivo Compulsivo, ou simplesmente TOC, que atinge hoje 2% da população brasileira.
Classificado como um distúrbio de ansiedade, o TOC está entre as 10 maiores causas da incapacitação, segundo a Organização Mundial de Saúde, devido aos prejuízos emocionais, profissionais e pessoais que acarreta a vida do portador. Para se ter idéia, de tanto perder tempo com o ritual de verificação a secretária foi demitida de vários empregos porque chegava atrasada ao trabalho. Além disso, não consegue segurar namorado algum porque nunca chega aos encontros no horário marcado. Enfim, a doença se manifesta quando as manias tornam a pessoa incapaz para as atividades do cotidiano.

Será que tenho TOC?
“O TOC se caracteriza pela repetição de gestos, rituais, pensamentos e atividades que a pessoa sabe que não fazem sentido, mas não consegue evitar”, explica o neuropsiquiatra Rubens Pitliuk. Ou seja, você não está predestinado ao TOC só porque lava as mãos a cada alimento que leva à boca. Mas certamente engrossa as estatísticas da doença se é dos que esfregam as mãos com água e sabonete cem vezes por dia, até ficarem em carne viva, porque receia ter sido contaminado por vírus e bactérias.
Apesar de conscientes do que os rituais e pensamentos são ilógicos e infundados, os portadores de TOC não conseguem controlá-los por temer que algo de ruim possa acontecer se as manias não forem realizadas. Para se livrar dessa angústia, acabam desenvolvendo rituais repetitivos (leia quadro), como se, dessa forma, ficassem imunizados contra o perigo. “No instante em que o TOCX ataca, toda a lógica cai por terra e a pessoa se comporta como se fosse escrava dele”, explica Pitliuk.
Uma das facetas mais comuns da doença é exatamente o medo obsessivo da contaminação. Há pacientes que só por cumprimentar, encostar em alguém ou simplesmente abrir uma correspondência são capazes de tomar banhos que chegam a durar duas horas, utilizando inclusive produtos químicos pesados, “Atormentado por idéia de ser contaminado, um de meus pacientes chegou a ficar seis horas no banho”, confirma o psicólogo Armando Rezende Neto, dando uma idéia dos prejuízos causados pela doença.


Medo de quê?
O transtorno é uma combinação de obsessões e compulsões, cujo pano de fundo é o medo de algo que ele não controla. Uma das preocupações mais comuns relaciona-se à possibilidade de falhar e, em conseqüência disso, ocorrer algum desastre. Por isso, há pessoas que verificam inúmeras vezes se fecharam a porta ou deixaram o ferro de passar roupas ligado.
Muitas vezes, porém, a compulsão não tem relação lógica com a obsessão que a origina. Tem gente, por exemplo, que precisa alinhar tudo o que vê pela frente ou arrumar as gavetas do armário ordenadas pela cor para que não aconteça algo de ruim. São também comuns os

- sujeira ou contaminação;
- duvidas recorrentes;
- simetria, perfeição, exatidão ou alinhamento;
- impulsos ou pensamentos de ferir, insultar ou agredir outras pessoas;
- armazenar, poupar, guardar coisas inúteis ou economizar;
- preocupações com doenças ou com o corpo;
- pensamentos mágicos (números especiais, cores, datas, horários).

 

chamados pensamentos catastróficos, como cravar uma faca no peito do marido quando ele chegar em casa do trabalho, por exemplo. Para fugir dessa angústia, tem gente que arranca todas as gavetas da cozinha para não ter acesso à “arma do crime” e fica verificando a toda hora se realmente elas estão fechadas.

Conheça as obsessões mais comuns:

Livres da prisão
Não se sabe ainda as causas exatas da doença, mas pesquisas e estudos sugerem a existência de uma disfunção de neurotransmissores em certas regiões do cérebro, explica o dr. Rubens Pitliuk. Pode haver uma predisposição familiar, pois não é raro que várias pessoas de uma mesma família apresentem os sintomas. O que não quer dizer que seja hereditário e nem provocado pela educação.
Seja como for, o lado bom da história é que existem tratamentos eficazes para o TOC. Porém quem sofre com o problema pode levar anos para buscar ajuda médica, seja pela vergonha de expor os sintomas ou por medo de ser tachado de louco. Mas já foi pior. Segundo o psicólogo Rezende Neto, como atualmente existe mais divulgação da doença e seus sintomas, o número de portadores de TOC que vêm recorrendo aos médicos cresceu bastante.
Os tratamentos mais avançados são o uso de antidepressivos e a psicoterapia do tipo cognitiva comportamental. A medicação age no cérebro elevando os níveis de serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar. O desaparecimento dos sintomas é gradual, podendo progredir ao longo de vários meses. O retorno é ainda melhor se o paciente investir na terapia. O portador recebe informações sobre a doença e os recursos e técnicas disponíveis para vencer os sintomas. Depois, passa a aplicar esses recursos em seu ambiente de trabalho ou domicílio.

Fique de olho
Enquanto os antidepressivos precisam de uma a três semanas para combater a síndrome do pânico e de três a seis semanas para fazer efeito na depressão, os portadores de TOC precisam esperar de seis a doze semanas para observar melhoras. Por isso, não interrompa o tratamento se não sentir qualquer efeito nos primeiros tempos.
Algumas vezes, o primeiro remédio não produz o resultado esperado. Não desanime, pois basta trocar a medicação. Na maioria dos casos é perfeitamente possível levar uma vida completamente normal com a manutenção do medicamento.
Resistir ao TOC é fundamental para o tratamento. Quanto mais você conseguir controlar as manias, melhor. Sem essa força de vontade, nenhum tratamento funcionará.


O que é TOC?

- Lavar as mãos 10 vezes por dia até ficarem vermelhas e em carne viva
- O ritual de fechar e tornar a fechar a porta antes de sair de casa para o trabalho por meia hora.
- Guardar por décadas jornais ao acaso, sem nenhum sistema de arquivamento ou busca.
- Sentir a incontrolável necessidade de dar um número determinado de batidas leves na porta antes de entrar.
- Gastar horas todos os dias colocando em ordem alfabética todos os itens do armário da cozinha e organizando as roupas dentro das gavetas por cor, por exemplo.


O que não é TOC?

- Lavar as mãos antes de cada refeição ou sempre que leva algum alimento à boca.
- Todas as noites, verificar e tornar a conferir se as portas e janelas estão fechadas.
- Uma mulher que dedica todo seu dinheiro e tempo livre para montar sua coleção de arte.
- Um músico que repete uma passagem difícil várias e várias vezes até obter a perfeição.
- Um executivo que não deixa seu escritório até que sua mesa esteja limpa e suas gavetas, organizadas
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Repetência: a grande culpada
Problemas de aprendizagem e evasão atingem alunos que cursam novamente a mesma série

Por: Paola Gentile
Publicada na Revista Nova Escola – Outubro 2003

Os números impressionam: o Brasil tem cerca de 27,5 milhões de habitantes entre 7 e 14 anos, mas registra 34,7 milhões de matrículas no Ensino Fundamental, conforme Censo Escolar 2003. A diferença é formada por jovens acima dos 15 anos que estudam em séries não compatíveis com a sua idade. A distorção idade-série preocupa educadores, embora venha caindo nos últimos anos (veja gráfico e tabela com os indicativos estaduais e por série).
A principal causa dessa situação é a repetência. Além de causar sérios problemas no processo de aprendizagem, a reprovação – ou a simples ameaça dela – é ainda a principal causa da evasão. A entrada tardia na escola hoje não é o principal motivo da distorção, pois com a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), em 1996, as secretarias tentam criar vagas para todos, pois recebem o recurso de acordo com o número de matrículas.
Mais do que um problema econômico – gasta-se cerca de 5 bilhões de reais por ano para atender esses alunos, o suficiente para manter o Fundeb (fundo de toda a Educação Básica) pelo mesmo período, com gasto de mil reais por aluno –, a distorção impede crianças e adolescentes de avanças em sua trajetória educacional. Quem repete tem desempenho cada vez pior e o fato de ter repetido pouco acrescenta à sua aprendizagem. Vai apenas rever os mesmos conteúdos, e ao lado de colegas mais novos, que nem sempre compreendem a situação. “O sentimento de fracasso faz com que os jovem encare os estudos como uma fonte de sofrimento e crie bloqueios em relação à aprendizagem”, afirma Magda Querino, mestra em lingüística e técnica para projetos educacionais do Centro de ensino Tecnológico de Brasília (Ceteb), instituição responsável pela elaboração de um dos programas de correção de fluxo oferecidos pelo Ministério da Educação (MEC).

Caminho aberto pela LDB
Depois de a própria criança, a família e a condição social terem sido apontados como culpadas pela reprovação, descobriu-se que o nó estava também na escola e na incapacidade dos sistemas de atender a diferentes necessidades de aprendizagem. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996, rompeu com a cultura da

 

repetência, abrindo a possibilidade de haver avanços para etapas seguintes. Surgiram ferramentas como a progressão continuada e as classes de aceleração.
Esta última é a mais adorada por estados e municípios, pela rapidez dos resultados. Consiste em reunir em uma mesma turma, durante um ano, estudantes em defasagem e aplicar um programa para os alunos reconquistarem a confiança em sua capacidade de aprender.
A principal crítica a essa iniciativa vem de educadores que não compactuam com uma pedagogia centrada somente na aquisição de habilidades e no resgate da auto-estima. Alegam esses críticos que os programas de aceleração deixaram os conteúdos aligeirados, não oferecendo base para o jovem continuar a aprender. “Não adianta mudar as estatísticas se não forem construídas condições para o aluno apropriar-se do conhecimento sistematizado para tornar-se ele próprio um produtor de conhecimento”, afirma Francis Guimarães Nogueira, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Na opinião da pesquisadora, que analisou com Lilian Borges o programa de correção de fluxo de 5ª a 8ª série do Paraná, os estudantes deveriam caminhar em sua própria velocidade no processo de aprendizagem. A Secretaria Estadual de Educação do Paraná interrompeu o programa de aceleração este ano porque uma parcela considerável dos “acelerados” abandonou os estudos no Ensino Médio, por não conseguir acompanhar, e para que fosse estudada uma forma de avançar sem desrespeitar o tempo de aprendizagem de alguns estudantes.
Em São Paulo, os egressos das turmas de aceleração que foram analisados pelo Sistema de Avaliação e Rendimento Escolar da rede estadual demonstraram o mesmo desempenho dos colegas que vieram de classes regulares. As pesquisadoras da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Vera Placco, Laurinda de Almeida e Marli Afonso de André, avaliaram positivamente as classes de aceleração da rede estadual paulista. As três apontaram que as condições dadas a essas classes – turmas menores, conteúdos pertinentes, formação de profissionais permanentemente acompanhados em seu trabalho – deveriam ser estendidas para todo o sistema.
As redes que reduziram a distorção investiram na capacitação de toda a equipe pedagógica, conseguindo o compromisso de todos com o sucesso das turmas.

 


Sucesso na aprendizagem fortalece o aluno para a vida

Por: Guiomar Namo de Mello
Publicada na revista Escola – Abril 2005

Estudos recentes na área da psicologia e da sociologia estão desafiando a velha idéia de que os traumas e riscos levam necessariamente ao desenvolvimento de doenças mentais ou emocionais. Com certeza existem os que têm dificuldade de se recuperar e deixam-se destruir pelos acontecimentos ruins. Por outro lado, todos conhecemos pessoas que aprenderam a lidar com as adversidades e até se tornaram mais fortes depois de uma situação dolorosa. São aquelas que sabem fazer limonadas dos limões que a vida lhe reserva.
As ciências humanas estão chamando essa capacidade de sacudir a poeira e dar a volta por cima de resiliência, termo originalmente utilizado na física para descrever a capacidade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica.
Ensinar o aluno a ter uma postura positiva e recobrar-se diante de situações difíceis talvez seja um dos objetivos mais importantes da escola. Principalmente quando ela atende – como é o caso da escola pública brasileira – alunos que por sua origem pobre poderão encontrar mais dificuldades para realizar um projeto de vida. Essa meta será encontrarão aquilo de que mais precisam: vivenciar experiências de sucesso, que lhes mostrem o quanto são capazes. Dosar confiança com prestação de contas e acolhimento com autonomia é difícil, mas não impossível.

 

alcançada mais facilmente se a escola for capaz de proporcionar para todos experiências bem sucedidas de aprendizagem.
Educar para a resiliência não é inventar programas especiais ou assistenciais. É fazer bem o que a escola tem de fazer: ensinar a todos, em clima de acolhimento e confiança. Assim, crianças e jovens
Uma atitude bastante eficaz é investir nos vínculos, o que significa relacionar-se melhor com os alunos e abrir possibilidades para que cresçam entre eles laços de amizade. Ajuda muito também estabelecer limites, com a negociação de regras claras que sejam válidas tanto para adultos quanto para crianças e jovens. Vale a pena inserir no currículo a aprendizagem não apenas de conhecimentos mas também das atitudes que são necessárias para a vida, como a cooperação, a ação positiva para a resolução de conflitos e de problemas, a postura firme de resistência e de segurança para a tomada de decisão. Para isso, crie oportunidades para que todos participem e tenham responsabilidade.
O educador também deve ficar sempre atento para impedir qualquer atitude de zombaria, escárnio ou agressão verbal: as vítimas desse tipo de agressão são mais sujeitas a ter postura menos ativa diante dos problemas. Não deixe de estabelecer expectativas realistas de desempenho, respeitando a capacidade do grupo e sempre apostando que eles conseguirão ir além. Para tanto, use todas as chances que tiver para oferecer apoio e encorajamento aos alunos. Eles contam com você.

 


Como lidar com o climatério

Por: Joel Rennó Jr. - coordenador geral do Pró-Mulher, Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.
Publicada no Jornal Diário de São Paulo – 16 de Agosto de 2005

Da mesma forma como o psíquico pode refletir impactos da condição biológica em processo de mudança, não é possível negar o caráter e importância dos significados atribuídos, por cada mulher; a sua vivência do fenômeno climatérico e menopáusico, enquanto anúncio e encerramento de sua vida reprodutiva.
Para muito além do biológico, este período comporta representações, deslocamentos, simbolizações e ressignificações importantes, seja quando se pensa no desenvolvimento feminino, seja quando se enfoca a psicopatologia. Assim, e interessante compreendermos a subjetividade feminina neste momento de vulnerabilidade.
Lax (1982) considerou a crise psíquica que a mulher experimenta durante a fase climatérica à luz do seu senso de integridade corporal, seu senso de funcionamento corporal, sua auto-imagem e suas tarefas vitais e interesses egóicos (ao ego).O desequilíbrio ocorreria em todas estas áreas do funcionamento psíquico. As mulheres responderiam ao climatério de diferentes maneiras, algumas lidando em direção a uma nova e saudável integração, outras rumando em direção à patologia. A perda do controle sobre o que ocorre com seu corpo faz reavivar fantasias e tendências regressivas, sentindo-se exposta e sem defesa contra sintomas como ondas de calor e
suores, que inclusive a mortificam, pois revelam seu estado menopausal sem que possa ter controle sobre seu corpo e suas manifestações, promovendo, por vezes, interferência no sentimento de integridade corporal e funcionamento harmonioso, resultando em decréscimo do senso de bem-estar; e ocorrendo crises emocionais significativas.
Além do mais, a perda da capacidade reprodutiva para as mulheres de várias décadas atrás, sob a supremacia da maternidade como função principal em suas vidas, poderia resultar em reação depressiva. Alguns aspectos são observados durante os atendimentos dessas mulheres:

- Mudanças na perspectiva cronológica: a relação com os pais se atualiza na relação com os filhos jovens e adolescentes, mas com papéis invertidos. (exemplo: cuidados com os pais idosos)
- Reversão nos ritmos exterior e interior de transformação: agora são os filhos que crescem rapidamente e os pais que envelhecem no mesmo ritmo. Luto pela consciência da natureza efêmera da vida humana.
- Limites da criatividade: percepção dos próprios limites do passado e a restrição para as realizações no futuro. Outras pessoas, provavelmente, ultrapassarão estas limitações, colocando em pauta a questão do amor e do ódio para consigo e para com os outros.

 

-Identidade do ego na perspectiva do tempo: o novo conhecimento da meia-idade sobre as próprias limitações consolida a identidade do ego, diferentemente do passado. Aceitar a si mesmo é aspecto importante da maturidade emocional, com reflexos em todos os relacionamentos.
- Ajuste de contas com a agressão exterior: enfrentamento realístico dos ataques que permeiam o ambiente adulto, sem explorá-los, sem negá-los, sem submeter-se ou por eles ser corrompido. Aceitação do fato de que a responsabilidade final e para consigo mesmo.
- Perda, luto e morte: o enfrentamento da perda dos pais, irmãos, parentes e amigos somam-se às próprias manifestações de envelhecimento, reforçando a consciência do possível adoecer e morte pessoal. A aceitação de perdas e fracassos pessoais deve permitir a sensação de contar com recursos suficientes para a aceitação de si mesmo e a reconstrução de uma vida significativa, tendo por base o narcisismo normal.
- Conflitos edipianos: nova reativação do Complexo de Édipo seja pelo crescimento dos filhos, pelas experiências concretas na vida social ou pelas vivências com os pais enfraquecidos rumo à morte. Com a descrição da "crise da meia-idade" e as tarefas desenvolvimentais próprias a este período do desenvolvimento, ficam pontuadas características marcantes às quais homens e mulheres devem fazer face quando atingem o ponto médio da vida, vivenciando, pessoalmente, estas dificuldades em maior ou menor grau. Conquanto, a conjugação desta crise psíquica com as contingências associadas ao climatério e menopausa, faz com que esta fase do desenvolvimento seja ainda mais complexa para as mulheres, devido à mútua influência de fatores de ordem biológica, psíquica e social. Assim, se o atendimento médico e imperativo nesta fase, o psicológico pode ser imprescindível, pois não há na medicina medicamento de metabolização e reposição que processe estas vivências e significados associados. Assim, a prevenção marca presença enquanto enfoque importante para a mulher que atinge o meio da vida e que enfrenta fase de vulnerabilidade – com freqüência solitariamente. Como médico do ''Pró Mulher" pude identificar, na grande maioria destas mulheres, necessidades de mudanças mais profundas: a elaboração do luto pelas mudanças e perdas; revitalização de recursos pessoais adormecidos; início da superação criativa de golpe em sua feminilidade representado pelo climatério e menopausa; aceitação de desafios que colocam à prova sua capacidade e estrutura emocional; descoberta de possibilidades pessoais que só o maior desenvolvimento emocional pode fazer frutificar; início da concretização de projetos indicativos de maior independência afetiva e financeira; maior amadurecimento da condição de separação conjugal e encorajamento para a tomada de decisões importantes na vida profissional.

 


O sexo acaba no casamento?

Por: Moacir Costa - medico psicoterapeuta, autor do Iivro "Mulher - A conquista da liberdade do prazer" (Ediouro) e coordenador do Projeto Amar Bem
Publicada no Jornal Diário de São Paulo (Idoso e Bem-Estar) – 16 de Agosto de 2005

O casamento se constitui numa importante fonte de valorização afetiva, amorosa e mesmo social.
Com o passar dos anos, infelizmente, muitos casais passam a se aposentar também na vida sexual. É claro que esse comportamento e observado com maior freqüência nos casais que já estão juntos há 20, 30 ou 40 anos. Eles demonstram ternura e carinho entre si, mas as pistas eróticas, que antes incendiavam a relação como festas, bailes, conversas na intimidade, beijos mais prolongados, já não acontecem.

Comportamento
Socialmente e muito fácil identificar esses casais. Eles pouco conversam, preferem assistir TV em sofás separados, o beijo só ocorre na chegada ou despedida, na base do selinho. Em restaurantes, se mantém distantes, ainda que estejam um do lado do outro.
Quando ocorre o sexo mensal, o componente ativador é o estimulo apenas físico ou biológico, já que a emoção e o desejo são baixos e não existe clima para namoro e sensualização do contato. Os sintomas decorrentes da menopausa devem ser observados pelo ginecologista e a reposição estrogênica, na maioria das mulheres, necessita ser realizada. Quando a redução do desejo e acentuada a avaliação da testosterona e necessária, mas a sua reposição deve ser mais cuidadosa, e os benefícios são significativos.
 

Impotência
Com os homens, após os 50/60 anos, 50% deles ou mais apresentam falhas de ereção que tendem a se agravar com o surgimento de doenças como diabetes, hipertensão, tabagismo, e estados depressivos etc.
O uso de medicamentos para recuperação do vigor e do entusiasmo sexual do casal, como o Viagra e Levitra, de ação mais curta (4 a 6 horas), e mais recentemente o Cialis, (com ação mais prolongada, ate 36 horas) são indicados. É importante lembrar que o estímulo da parceira e sempre necessária e as substâncias à base de nitratos são contra indicadas.

Busca do prazer
Por que não voltar a sair para passear e aproveitar o intenso prazer desses momentos? Outros, que sempre adoraram ir ao cinema, ou mesmo caminhar de mãos dadas, poderão voltar a fazer coisas juntos como antes faziam. A verdadeira parceria e amizade voltam a fazer parte do cotidiano e só assim irão encontrar formas de retomar a vibração do relacionamento conjugal.
Vale a pena investir mais na vida a dois para se ter uma sexualidade mais ativa e prazerosa. Tudo isso é um aspecto importante também para conquistar um envelhecimento saudável.

 

 

Ensinar bem é... Saber elogiar

Publicada na Revista Escola – outubro de 2003
A qualidade do elogio não está nas palavras mas na maneira como ele é feito. E isso na escola pode ter sérias conseqüências.

Em sala de aula, elogios demais ou de menos podem ser igualmente prejudiciais para o estudante. Autora de uma tese sobre o assunto, Telma Vinha, de Campinas (SP), concluiu que esse discurso de admiração pode ser ouvido em duas categorias: o valorativo e o descritivo.
O valorativo tem um caráter destrutivo, independente de conter uma crítica positiva ou negativa. A frase “Você é muito inteligente” é um exemplo. Nela está contido um juízo de valor. Esse tipo de exaltação, de acordo com Telma, gera dependência. A criança passa a fazer as coisas com o objetivo de receber a aprovação das pessoas e vai perdendo a capacidade de se auto-avaliar. Imagine que um aluno muda uma mesa de lugar. Se em vez
de afirmar “Você é muito forte” você disser “Obrigada, eu não conseguiria carregar isso sozinha”, o julgamento sobre ser forte ou não fica a cargo dele. O estudante que tem sempre suas ações enaltecidas de forma valorativa pode ficar com receio de desapontar os outros. “é uma carga muito grande ser inteligente ou bem-comportado durante o tempo todo”, considera a pedagoga.

Descrever pontos fortes
Já o elogio descritivo é benéfico e contribui para que o estudante adquira consciência de sua própria evolução. Expressões como

 
“Parabéns. Seu texto está muito bem redigido. Você conseguiu captar bem o tema proposto” podem ser ditas em particular ou de maneira que a classe ouça, pois a turma aprende com os erros e acertos de um colega.
“ser descritivo dá trabalho para o professor”, admite Telma. Ela explica que é mais fácil escrever palavras como “lindo” ou “parabéns” do que indicar os pontos fortes presentes em uma atividade. Se a classe for numerosa, você pode fazer essas intervenções em alguns trabalhos apenas, em cada aula. Por meio de um revezamento, ao final de determinado período todas as crianças terão suas lições avaliadas desse modo.
Para quem não está acostumado a atuar assim, Telma dá uma sugestão: “Faça de conta que está descrevendo o texto analisado para alguém que não o leu, ou o desenho ou projeto para alguém que não o viu”.

Três razões para elogiar
- Por iniciativa: as boas idéias têm de ser valorizadas mesmo que o produto final seja ruim. Em nossas escolas esse tipo de elogio não é comum.
- Por esforço: o empenho das criança precisa ser sempre reconhecido, caso contrário ela poderá se sentir desestimulada no futuro.
- Por resultado: há alunos que aprendem com mais facilidade que os outros. Fique atento para não valorizar somente os bons resultados, já que todos precisam de elogios.

 

 

O que você espera deles?
Se só de olhar você já deduz que este ou aquele aluno não vai aprender, pode apostar: ele não vai mesmo. Para evitar que a profecia se realize, é preciso superar essa primeira impressão. E acreditar que todos podem ter sucesso.


Por Meire Cavalcante
Publicado na revista Escola, edição abril de 2005

Suponha que você se inscreveu em um curso de dança. Na primeira aula, o professor ensina os passos básicos e você, que anda com o esqueleto enferrujado, não tem um desempenho dos melhores. Ele percebe sua dificuldade e faz aquela cara de quem diz: “Você não leva o menor jeito”. Nas aulas seguintes, o professor não lhe dá muita atenção nem se empenha nas explicações. Mas não poupa elogios aos que parecem ter nascido nascido para dançar. Como você se sentiria em uma situação como essa? Provavelmente se julgaria um fracasso, sairia do curso ou desistiria de dançar. Agora, tente imaginar o peso dessa situação nos ombros de seus alunos, sejam eles crianças ou adolescentes. Desanimador, não?
Esse pré-julgamento do professor, que leva muitas vezes ao fracasso dos estudantes, tem um nome pomposo: profecia auto-realizadora – fenômeno mais freqüente do que se imagina e que provoca sérias conseqüências. É verdade. A forma como o aluno é visto e tratado por quem deve ensiná-lo pode virar uma bola de neve. Ao acreditar que a criança é incapaz, o professor provoca nela uma adaptação às baixas expectativas. Feito isso, o aluno realmente não aprende. Para que todos tenham a mesma oportunidade de se desenvolver na escola é essencial refletir sobre a sua postura diante da turma. Depois, convercer-se de que todos são capazes de avançar. Assim, você não só combate o fracasso escolar mas evita que talentos sejam desperdiçados.

Reconhecer preconceitos é o começo
É consenso entre estudiosos da profecia auto-realizadora que o professor deve se auto-avaliar sempre. “Todos somos preconceituosos e isso não é defeito. Construímos nossos preconceitos com base em experiências familiares e sociais”, afirma a psicopedagoga Carmem Maria Andrade, professora da Faculdade Metodista de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.
O preconceito nada mais é que um conceito antecipado sobre algo. E nem sempre ele é negativo. Quer um exemplo? Quando você diz que alguém é muito bom no que faz porque se graduou em certa universidade, significa que você criou um conceito antecipado de que lá só se formam bons profissionais. “Os pré-julgamentos, no entanto, não podem ser usados para machucar ou prejudicar alguém”, alerta Carmem. Isso ocorre, por exemplo, ao crer que um jovem que mora na favela não tem a mesma capacidade que o de classe média.
Em 1987, Carmem realizou uma pesquisa com 100 professores de escolas municipais, estaduais e particulares. “Observando o trabalho dos educadores, identifiquei 22 tipos de preconceito manifestados em relação às crianças”, diz ela. A origem socioeconômica, a estrutura familiar e até o vestuário eram motivos de discriminação. Dez anos mais tarde, ela localizou 98 dos professores e repetiu o procedimento. “Na Segunda vez, identifiquei 24 tipos de preconceito.”
A professora concluiu que ainda é preciso discutir muito o assunto. “De nada adiantam grandes campanhas contra o preconceito na mídia se, na convivência diária, não mudamos nossa prática”, afirma. Carmem conta que a manifestação mais freqüente nas duas pesquisas era a discriminação racial. Certa vez, ela ouviu uma professora perguntando para outra quantos negros tinham em sua sala. A resposta foi impactante: “No primeiro bimestre eram três, mas consegui ficar só com um!”

O retrato do aluno vem da avaliação
Além dos aspectos físicos, as atitudes da garotada também estimulam os professores a formam opiniões deturpadas. Crianças e jovens manifestam comportamentos que, sem dúvida, refletem um pouco de sua personalidade, mas que de forma alguma determinam suas capacidades cognitivas. Durante uma pesquisa realizada em escola pública de São Paulo, a psicopedagoga Maria Cristina Mantovanini pediu aos professores que separassem os alunos bons dos ruins. Resultado: cerca de 40% das crianças foram consideradas ruins. “Avaliei todas elas e constatei que nenhuma tinha problemas cognitivos. O desenvolvimento intelectual das crianças dos dois grupos era semelhante. Isso deixou muitos professores espantados.” Para Maria Cristina, índices altos como esse são indícios de que as estratégias em sala devem ser revistas. “Ao separar bons e ruins, a maioria não utilizou critérios pedagógicos e cognitivos, limitando-se apenas a observar as atitudes.” Se uma criança chega suja, fala demais ou é agressiva não significa que é incapaz de aprender. Foi o que descobriu Ana Lígia Malaquias. Há alguns nos, ela lecionava para turmas de aceleração em uma escola pública no Rio de Janeiro. As crianças traziam um histórico de fracasso e eram vistas como casos perdidos. Entre elas estavam cinco irmãos, o terror da escola. Eles falavam muito, eram indisciplinados, tiravam notas péssimas e nem certidão de nascimento tinham.
Duas garotas dessa família foram para a turma de Ana Ligia. “Eu tinha ouvido comentários ruins sobre o comportamento e rendimento dos irmãos. Quando entrei na sala, já tinha criado as piores expectativa em relação às meninas”, conta. Para Júlia e Karina*, a atitude de Ana Ligia não era novidade. Afinal, já carregavam o estigma de péssimas alunas. Elas nunca participavam das atividades, eram muito tímidas – às vezes agressivas – e não faziam amizade com ninguém.
Certa vez, durante uma aula de leitura, as meninas sumiram. As duas estavam atrás do teatrinho de fantoches: uma com um livro no colo e um boneco na mão; a outra, prestando atenção na história que a irmã contava. “Naquele dia, percebi que, mesmo faltando às aulas, elas tinham entendido a proposta e podiam participar como os outros. Só faltava uma oportunidade, que eu não estava dando”, admite. Hoje, quando Ana Ligia pega uma nova turma, primeiro conhece bem e depois lê os históricos e conversa com os antigos professores. “Assim, evito pré-julgamentos injustos.”

 
Atitudes que caracterizam a profecia
Durante sua pesquisa, Maria Cristina ouviu relatos de crianças conformadas com o fracasso e que acreditavam na incapacidade atribuída a elas. “Muitas falavam que não davam para os estudos ou que a professora dizia que não conseguiriam aprender.” A pesquisadora conta que 84% dos estudantes considerados ruins chegavam para conversar com ela apreensivos, tinham dificuldade de falar de si mesmos e medo de errar. Já os avaliados como bons eram curiosos e mostravam muita desenvoltura e confiança ao se expressar.
Apesar de alguns professores serem explícitos, Maria Cristina acredita que, para condenar um aluno, não é preciso dizer que ele não vai aprender. Basta, por exemplo, ignorar quando ele tenta dar uma resposta ou nunca chamá-lo à lousa para uma atividade. “Se a criança tenta participar e é criticada, ela não vai tentar uma Segunda vez, acreditando que todos sabem mais do que ela”, explica. Esse tipo de conduta do professor não prejudica apenas o rendimento e a autoconfiança do aluno. Pode também minar suas chances de se socializar.
Para a professora Carmem, a escola estimula a competitividade de tal forma que, quando a turma observa a atitude discriminatória do professor, passa a ridicularizar o colega que tem dificuldades. “Ninguém quer ser amigo daquele aluno. Muito menos oferecer ajuda a ele para resolver problemas”, afirma. Assim, cria-se na sala de aula um ambiente propício para a desigualdade, em que o estudante excluído passa a ser responsável pelo fracasso. Essa dinâmica pressupões que só não aprende quem não quer ou não se interessa.
A atitude do professor em sala é tão poderosa e facilmente percebida pela turma que não é possível escondê-la. Por isso, não adianta combater o problema afirmando – mesmo sem acreditar – que uma criança vai conseguir se sair bem. Ao contrário, essa estratégia pode ser tão negativa quanto a profecia auto-realizadora. São dois os motivos: ter um sentimento pelo aluno e demonstrar outro pode gerar nele um grande desconforto; e, se ele aceitar essas afirmações positivas, pode se decepcionar ao criar expectativas sobre si que não são reais.

O professor pode mudar a situação
O pessimismo em relação aos estudantes às vezes é tão marcante que, ao encontrar um professor com uma postura diferente, muitos até se admiram. “Quando entrei sorrindo pela primeira vez em uma sala considerada problemática, um aluno me perguntou se eu iria ficar com eles de verdade”, conta Lael Keller, professora da Universidade do Estado de Minas Gerais, em Passos. Em 1995, ela dava aulas de Educação Especial na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) – onde hoje é supervisora - , quando foi convidada a assumir uma turma de 1ª série em uma escola pública regular.
O curioso é que não havia nenhuma criança com deficiência na classe – e Lael logo percebeu isso. “Fui convidada por minha experiência em Educação Especial. A escola já tinha tentado de tudo com aquela turma”, lembra Lael. O grupo era um retrato do fracasso – e a culpa, atribuída às crianças. Na sala encontravam-se todos os repetentes, os indisciplinados e os que tinham dificuldades de aprendizagem. Sem avaliação e propostas pedagógicas adequadas, eles eram imprudentemente diagnosticados como portadores de distúrbios mentais e de comportamento.
Apesar de não achar adequado reunir todos em uma mesma turma, a professora buscou a melhor maneira de alfabetizá-los e de tirar das costas deles o peso de afirmações inconseqüentes como “você é burro”. Os pais, cansados das reclamações, já acreditavam na burrice dos filhos e nem tentavam ajudá-los. “Por isso, dava deveres que os alunos podiam resolver sozinhos. Era emocionante ver o orgulho que tinham ao entregar a tarefa pronta no dia seguinte”, revela Lael.
Ela propôs atividades lúdicas e dinâmicas fora da sala e trabalhou com jogos e projetos, sempre observando as dificuldades e analisando o conhecimento prévio de cada um. Com isso, podia planejar as atividades mais adequadas. As melhores surgiram a partir do meio do ano. Os pais, surpresos com a reviravolta na vida escolar das crianças, enchiam a professora de presentes. “Eu me sentia mal com os agrados, pois ensinar era apenas a minha obrigação.”
Ao mesmo tempo que não acreditam nos alunos, muitos professores também não confiam na própria capacidade de ensinar. Maria Cristina Mantovanini percebeu que, ao encaminhar uma criança ou adolescente a especialistas, como o médico ou o psicólogo, muitos professores se sentiam diminuídos, como se o magistério não desse conta do recado. Em seu livro Professores e Alunos Problema: Um Círculo Vicioso, ela afirma que “o professor que só consegue enxergar no aluno a falta – a dificuldade, aquilo que ele não sabe e deveria saber – faz o mesmo consigo próprio”.
Lael já recebeu na Apae muitas crianças com diagnósticos errados. As escolas encaminhavam os estudantes para se livrarem dos “problemas”. O professor deve entender que casos de saúde são resolvidos por um médico, que questões emocionais podem ser amenizadas por um terapeuta e quem domina o processo de aprendizagem é ele”, ressalta Maria Cristina. Ela destaca que a consciência do valor do magistério aumenta a confiança dos educadores na própria capacidade e também na dos estudantes. A prova está na conclusão de sua pesquisa. Todos os alunos que antes haviam sido considerados ruins foram aprovados. “Isso só aconteceu porque os professores, nas longas reflexões que fizeram, perceberam que podiam intervir no processo de aprendizagem com base nos conhecimentos de sua profissão.”

*Os nomes foram trocados para preservar a identidade das estudantes

 

 

Psicoterapia remédio para a alma

Por Maeli Prado – Publicada na Revista da Coop – edição Fevereiro de 1999
Procure um psicoterapeuta”, recomendou Carol, ao ouvir Rosa despejar sua insatisfação com o trabalho, amor, amizades, enfim, coma vida. Como resposta à sua sugestão, recebeu da amiga um olhar indignado: “Além de tudo você acha que sou louca?”
como Rosa, muitas pessoas ainda associam palavras como psicólogos, psicologia ou análise apenas a distúrbios comportamentais seríssimos. Ou, então, para resolver situações emocionais tão complicadas que só mesmo apelando para esse último recurso.
Pena que muita gente ainda pense assim. Esse lugar impede muitas pessoas de procurar ajuda quando estão com algum tipo de sofrimento emocional. Nem precisa ser um grande drama. Quantos, por insegurança sofrem e provocam sofrimento por causa do ciúmes exagerado, por exemplo?
Então, por que não tentar descobrir de onde vem esse sentimento e como lidar melhor com ele, em vez de continuar frustrando-se a cada rompimento?
A psicoterapia nos ajuda a entender nossas reações frente a certas situações, como a que citamos, e nos auxilia também a recobrar o equilíbrio emocional. Ao contrário do que muita gente pensa, a psicoterapia pode ser também um meio de conhecer mais a respeito de si mesmo.

Por que sou assim?
Saber lidar com as emoções do dia-a-dia, entrar em contato com os sentimentos mais profundos, conhecer mais sobre a própria personalidade. Vira-e-mexe nos vemos diante dessas questões. Perguntas como “Estou fazendo realmente o que quero da minha vida?” ou “Será que o tempo está passando e não estou aproveitando tudo o que posso?” ou “Por que não consigo falar claramente o que sinto?”, por exemplo, muitas vezes nos tiram o sono.
Para complicar mais um pouco, a rotina, a falta de dinheiro, os relacionamentos difíceis, entre outras razões, nos fazem esquecer nossas qualidades e pontos fortes e nos sentimos sem saída ou capacidade para resolver certos impasses.
Envolvidos nas dúvidas e dores emocionais, também deixamos de lado coisas que nos dão prazer, como conversar com amigos, namorar com sossego ou ouvir uma boa música. É aí que pode entrar a terapia. Com ela, pode-se aprender a lidar melhor com os próprios sentimentos, ajudando a clareá-los e a deixar de lado tristezas inúteis, resgatando o prazer. Porém, é bom saber que a psicoterapia não e uma mágica para a felicidade eterna, nem dará a solução instantânea para todos nossos problemas. Entretanto, conhecendo melhor seus próprios sentimentos e reações, com certeza ficará muito mais fácil enfrentar os problemas que surgirem.

Qual é a melhor para mim?
Assim como outras formas de tratamento, a psicoterapia também oferece vários caminhos, conhecidos como linhas terapêuticas. É importante saber um pouco sobre elas, antes de escolher. Outra coisa: o vínculo entre o profissional e paciente deve ser levado em conta na hora de se decidir fazer psicoterapia. Se no primeiro contato não houver simpatia e, mais do que tudo, confiança, deve-se procurar outro profissional com quem você se sinta mais à vontade. O número de sessões por semana deve ser estabelecido entre paciente e terapeuta. Veja agora algumas das linhas mais importantes da psicoterapia.
- Psicanálise: criada e desenvolvida por Sigmund Freud, a psicanálise tem como objetivo trazer à tona o que está no inconsciente, a parte mais profunda escondida na mente. Através da interpretação de sonhos
e livres associações, o psicanalista poderá entendê-lo melhor e ajudá-lo no auto-conhecimento. A psicanálise dá extrema importância às questões da sexualidade. O comportamento do psicanalista

 
duranteajudá-lo no auto-conhecimento. A psicanálise dá extrema importância às questões da sexualidade. O comportamento do psicanalista durante a sessão será neutro, pois sua função é interpretar os dados que vai recebendo, buscando explicação para os sintomas do paciente no seu passado.
- Junguiana ou Psicologia Analítica: Foi desenvolvida por Carl Gustav Jung, e diferencia-se da psicanálise pela menor atenção dispensada à sexualidade. Para Jung, além do inconsciente individual, existem elementos inconscientes, que aparecem na mente de todas as pessoas. Sonhar que a pessoa está nua, por exemplo, parece ser comum aos habitantes do planeta, independente da cultura, raça ou religião. Na terapia junguiana, o terapeuta, mais próximo do paciente, intervém com comentários e sugestões.
- Cognitiva: foi desenvolvida por Aaron Beck. Segundo ela, o que faz a diferença é o grau de importância que o paciente dá a algo em sua vida. Trabalha com o que cada paciente acredita, com a idéia de substituir crenças negativas por positivas. Um exemplo: pessoas que sofrem de Síndrome do Pânico habitualmente apresentam a taquicardia como indício de crise. Por isso, a cada disparada do coração, ela associa um ataque eminente. Na terapia cognitiva, o terapeuta trabalha essa crença levando o paciente a perceber que outras situações, como subir uma escada correndo, também podem levar a um disparo cardíaco. Assim, o paciente começa a mudar seu diálogo interno (que é automático, e não racional) e separar o que é sintoma de crise de uma outra situação.
- Comportamental: o que importa para os behavioristas, como também são chamados os psicólogos comportamentais, é a reação das pessoas a certos ambientes e situações. O objetivo é fazer o paciente mudar sua forma de encarar os próprios medos. Por exemplo: algumas pessoas que têm verdadeiro pavor de baratas e sobrem só de imaginar que pode haver alguma rondando por perto. A partir desse dado, o terapeuta começa fazendo-o vivenciar o problema, colocando-o frente a frente com o inseto ou aproximando-o gradativamente dele, pedindo para que imagine estar passando pela situação que o intimida. Esse processo será repetido até o medo desaparecer.
- Terapia da Gestalt: idealizada por Fritz Perls, essa linha vê o homem dentro do seu mundo. O objetivo é tratar o momento presente do paciente, os fatos e emoções de sua vida atual. Por exemplo: o paciente que vive mudando de emprego devido a sua falta de habilidade de se entrosar com os colegas de trabalho. A partir desses dados, o terapeuta o ajudará a descobrir quais as razões de suas dificuldades no relacionamento. O psicoterapeuta estimula o paciente a falar sobre seus problemas, fazendo-o entrar em contato com eles. Quando isso ocorre, é importante tomar consciência desses problemas e tentar descobrir qual a melhor forma de lidar com as dificuldades.

Psiquiatra ou psicólogo?
Nem todos sabem a diferença entre eles. Explica-se:
O psiquiatra é, antes de tudo, um médico, que fez, depois da faculdade, mais três anos de especialização, estudando as diversas linhas psiquiátricas. Como conhece o funcionamento do organismo, indica medicamentos e internações, podendo tratar de psicoses, depressões e esquizofrenia.
Já o psicólogo se concentra no estudo do comportamento humano e não cuida de doenças físicas.
Ambos praticam a psicoterapia, orientando e apoiando seus pacientes na busca do auto-conhecimento.

Consultoria: Aparecida Malandrim Andriatte, psicoterapeuta (Santo André) e Vera Lúcia Vasallo, psicoterapeuta (Santo André).

Um pra lá, dois pra cá
Dificilmente os filhos saem ilesos da separação dos pais. Porém tudo vai depender de como os próprios adultos reagem ao divórcio

Por: Ivanilde Silva, Tania Zagury, Elizabeth Monteiro, Cynthia Lopes e Carlos Roberto Bonato
Publicada na Revista da COOP – julho 2003

Ana Clara, de nove anos, deixou os pais de boca aberta. Assim que foi informada da separação do casal, a garota reagiu da forma mais espontânea e otimista: “Que bom, agora terei duas casas” . O mesmo não aconteceu com Guilherme, que passou a ter insônia e ir mal da escola depois que seus pais assinaram os papéis do divórcio. Nenhum desses casos é regra ou exceção quando o fim do casamento dos pais vem à tona. Mas uma coisa é certa: o grau do sofrimento dos filhos vai depender da forma como o processo será administrado pelo casal.
Segundo especialista em comportamento, o ideal é a família conduzir a separação da forma mais direta e transparente possível, levando em consideração que os filhos, independente da idade, entendem (ou, pelo menos, percebem) que algo diferente está acontecendo. Além disso, é fundamental que o casal esclareça aos filhos que o fato de papai mudar de endereço não significa que nunca mais vai vê-lo, pois os pais são para sempre.

Entendendo o mundo infantil
Antes de dar a notícia às crianças, é importante que os adultos compreendam um pouco mais o que pode passar nos corações e mentes de seus filhos.
- Como enxergam o mundo a partir de si mesmas, é muito comum crianças pequenas pensarem que os pais resolveram se separar por causa de algo errado que elas fizeram. Por isso, é preciso deixar claro que apenas os adultos são responsáveis por essa decisão.
- Muitas crianças aceitam a notícia sem apresentar qualquer reação. “Engolem o sapo” sem dizer nada. Porém, mais ou menos dia, o sapo terá de ser eliminado. Nesse momento podem, então, surgir reações inesperadas e comportamentos que fogem ao controle.
- Não existe uma fórmula mágica que possa ser válida para todos, mas uma forma de ajudar os filhos é estimulá-los a falar sobre a separação, a fazer perguntas e a expressar suas angústias. A maneira de conversar com eles e quais os detalhes a ser revelados dependem da idade e do grau de maturidade da criança. Porém jamais esconda a verdade.
- Algumas crianças são mais fechadas e ficam com receio de fazer perguntas, neste caso, a mãe ou o pai pode introduzir o assunto e passar a ela a idéia de que a separação do casal não é um segredo terrível, mas sim um tema pode ser discutido abertamente.
- Pais separados não são, necessariamente, sinônimo de filhos problemáticos. Se você está arrastando um casamento malsucedido por conta dos prejuízos que a separação possa causar ao seu filho, atenção ao conselho do psiquiatra Içami Tiba. “Geralmente uma boa separação ajuda mais os filhos que a conservação de um mau casamento.”

Ajuda para os pais
Para o psiquiatra Içami Tiba, em seu livro Quem Ama, Educa, é necessário deixar bem claro que os filhos não têm culpa da separação do casal, nem o poder de unir os pais. Por mais complicado que seja, é importante que eles entendam que a responsabilidade da separação é exclusivamente dos adultos.
Como o assunto é delicado, alguns psicólogos chegam até a sugerir a terapia de casal para uma melhor condução do processo de separação. “Com ajuda de um profissional, pai e mãe poderão trabalhar melhor as questões pendentes e evitar que mágoas e rancores, que geralmente acompanham a dissolução de um casamento, possam comprometer a futura convivência com os filhos”, explica a psicóloga e pedagoga Elizabeth Monteiro.
A sugestão não é um exagero. Não são poucos os casos de ex-cônjuges que mal se falam e, quando se encontram, só sabem discutir. Também não é raro pai e mãe tumultuarem as crianças em estilingue para atingir o outro, ou, então, fazendo-as de mensageiras de emoções e conflitos mal resolvidos.

Conseqüências da separação
Cada filho tem sua própria capacidade de compreensão e de absorção, que depende da idade e de sua personalidade. Cabe aos pais entender e respeitar as diferenças e encontrar maneiras diversas de lidar com o problema, para que cada criança sofra menos, até porque, nesses casos, a ausência total da dor é impossível.
Na maioria das vezes, os reflexos costumam aparecer primeiro no boletim escolar. De acordo com a educadora Tânia Zagury, um divórcio amistoso envolvendo filhos otimistas como Ana Clara pode até afetar a capacidade de concentração da criança no início, mas esse comportamento tende a desaparecer com o tempo.
Em compensação, a dor da separação é muito mais intensa em crianças com características negativistas, como as que acreditam que tudo acontece por

 
causa delas. Se nesses casos a separação for traumática, as conseqüências serão ainda maiores. Podem, inclusive, colocar em risco o ano escolar. “É importante que os pais avisem a escola para que os professores possam dar um suporte emocional ao aluno”, ressalta a educadora, autora do livro Escola Sem Conflitos (editora Record)

O corpo fala
As marcas da separação podem provocar também danos físicos e emocionais, se o processo não for bem trabalhado pela família “Os pais sabem que o filho vai sofrer com o divórcio, mas a maioria não tem idéia da extensão dos prejuízos”, observa Elizabeth Monteiro, autora do livro Criando Filhos em Tempos Difíceis. Segundo especialistas, os comprometimentos vão desde insegurança até distúrbios de ansiedade:
-Reações comportamentais: dificuldade de relacionamento, agressividade, isolamento, apatia, insegurança, falta de confiança nos outros, timidez e medo de encarar desafios.
Reações emocionais: distúrbios de ansiedade, depressão e transtornos compulsivo-obsessivos.
- Reações físicas: insônia, dores de cabeça e dor de estômago e mau funcionamento intestinal.
Isso não quer dizer que, ao passar essa fase, ele apresentará todas essas mudanças ao mesmo tempo. Cada um reage de uma forma. O importante é que pai e mãe passem a observar atentamente o comportamento da criança ou adolescente. Mudanças drásticas, que não condizem com as características do filho, podem indicar a necessidade de uma atenção especializada. Segundo psicólogos, o ideal seria que os possíveis traumas da separação não se cristalizassem, podendo gerar conseqüências para toda a vida. Portanto, mais do que bom senso, muita atenção.

Abrindo o jogo
Alguns cuidados e regras são fundamentais para que a separação seja menos danosa à saúde física e emocional das crianças
Quando falar: tenha certeza se a decisão da separação é definitiva ou se tudo não passa de uma crise passageira. Poupo os filhos de sofrer desnecessariamente com idas e vindas sobre o divórcio. Porém, se a separação for definitiva, é hora de comunicá-los. A notícia deve ser dada pelo casal. Assim, os pais evitam que cada um passa a mesma notícia de maneira diferente.
- Onde falar: o melhor lugar é a própria casa e, de preferência, quando todos os filhos estiverem reunidos. Em ambientes estranhos, eles tendem a ficar poco à vontade para expor seus sentimentos, pensamentos e emoções. Em restaurantes nem pensar.
- Como falar: explique os motivos da separação, mas evite entrar em detalhes ou questões subjetivas. Informe quando e como será o processo, explicando o que acontecerá com os filhos (se ficarão com a mãe, se mudarão de escola). Responda a todas as perguntas e dê retaguarda a todos os sentimentos.
O mais importante, porém, é ressaltar que o ex-casal continuará sendo pai e mãe. Evite frases tipo “mamãe e papai não se amam mais”. Isto pode levar as crianças a achar que o amor dos pais por elas também é instável.
- Como proceder: não envolva os filhos em disputas sobre custódia ou em partilha. Para a criança, escolher um dos pais significa excluir o outro. a culpa gerada por se sentir desleal para com um dos dois poderá provocar ansiedade.

Guarda compartilhada
Ficar com a mãe ou pai? O novo código civil brasileiro, que entro em vigor no início do ano (2003), põe fim ao privilégio da mulher Ter preferência de guarda do filho. A partir do novo código, cuida dos filhos o cônjuge que tiver melhores condições de cria-los. O critério não é apenas financeiro. Também são levados em conta a afetividade, afinidades e condições de proporcionar melhor educação, sem contar também a vontade da própria criança. Um grande avanço, segundo Carlos Roberto Bonato, presidente da Associação de Pais e Mães Separados. “Só que também é preciso mudar a cultura dos profissionais que lidam com os processos de separação”, observou.
Fundada em Florianópolis em 1997, a Apase tem hoje na guarda compartilhada sua principal bandeira. Adorado em vários países da Europa e nos Estados Unidos, esse regime prevê que pai e mãe mantenham os mesmos direitos e obrigações na formação e desenvolvimento das crianças. Pelo modelo, escolhe-se uma moradia principal, mas os pais têm flexibilidade para combinar dias e horários de encontros. A falta dessa lei no Brasil, no entanto, não impede que esses arranjos sejam implantados informalmente, gerando benefícios a todos os envolvidos.


Brincadeira é coisa séria

Por Adriana Moura - Publicada na Revista Escola Edição junho 2003

Pião, corda, ciranda e passa-anel. Quem não lembra com carinho das brincadeiras de infância? Correr, pular, jogar parecem apenas diversão, mas são exercícios que vão úteis para a vida inteira. Pena que a vida urbana esteja aposentando o verbo brincar. Desde pequenas, as crianças vivem uma rotina de adultos: da escola para as aulas de inglês, música ou esporte e o resto do tempo presas dentro de apartamentos por medo da violência, assistindo à televisão.
“A brincadeira é importante pois é por meio dela que a criança adquire conhecimentos. Brincando ela apreende o mundo”, afirma a pedagoga e psicóloga Elizabeth Monteiro, autora do livro Criando filhos em tempos difíceis. Além disso, ao brincar, os pequenos aliviam suas tensões, descarregam a agressividade, exercitam a criatividade e treinam os papéis que vão desempenhar na vida, quando obedecem às regras de um jogo, por exemplo.

Com o próprio corpo
A primeira manifestação de inteligência aparece aos três meses, quando o bebê começa a brincar com as mãos, seu primeiro brinquedo. Até os seis meses de idade, o próprio corpo é sua brincadeira preferida. Assim ele balbucia e descobre os sons, morde os pés para aprender a consistência e sacode as mãos para compreender os movimentos. “A criança não precisa ser incentivada a brincar. É um ato que está dentro dela”, explica Elizabeth.
Porém muitos pais não notam a importância que a brincadeira tem para os pequenos e enchem a agenda do filho com atividades mais “úteis”.
Além disso, por ter pouco tempo livre, acabam não brincando com ele, nem ensinando os jogos que aprenderam na sua própria infância. “Com isso as crianças estão desaprendendo a brincar”, assusta-se a psicóloga.
As conseqüências são tristes. Criança que não brinca tem tendência a sofrer de doença de adultos, como depressão. Para se ter idéia, o índice de suicídios entre crianças e jovens aumentou mundo no mundo inteiro nos últimos anos. Diabetes, obesidade, stress e até úlcera são cada vez mais freqüentes antes dos 12 anos
“Há crianças com 9, 10 anos que têm vergonha de brincar”, revela Elizabeth. Transformados em adultos antes do tempo, as crianças desenvolvem menos vínculos afetivos, justamente aqueles que se formam na primeira infância e duram para toda a vida. Por isso, ficam mais sujeitos a problemas como envolvimento com drogas e violência, por exemplo.

Questão de afeto
- Pais que brincam com os filhos entram no mundo lúdico em que eles vivem e, assim, estabelecem uma relação de afeto mais próxima e duradoura.
- Brincar com as crianças também torna mais fácil criar limites durante a educação. “Criança que não tem o que fazer dá trabalho mesmo. Mande esse menino fazer casinha com caixa de papelão e veja o que acontece de bom”, diz Elizabeth.
- Tome cuidado com o excesso de limites, que tolhem a capacidade criativa. Tudo bem proibir que o filho jogue bola na sala cheia de bibêlos, mas porque não deixar que ele pinte as paredes do banheiro com pasta de dente, desde que ele limpe depois? “Os menores precisam fazer sujeira”, alerta a psicóloga.
- Um estudo de psiquiatria analisou a influência da televisão na formação da criança. Chegou à conclusão que entre os 4 e 6 anos – a faixa de idade do pensamento mágico – as que trocam a brincadeira pela TV apresentam dificuldade em criar suas próprias fantasias. Essa troca prejudica o pensamento criativo no futuro e depois pode favorecer o vício em drogas. As alucinações provocadas por elas substituiriam as fantasias que perderam.
- Brincar é até uma forma de fazer o filho ficar quieto enquanto você faz o jantar. Quando estiver na cozinha, misture farinha e água numa vasilha e deixe que ele amasse, fazendo bonequinhos. Enquanto assiste TV, sente no chão com ele e faça bolas de papel com jornal. Além de

 
distrair, a criança exercita a coordenação motora e a força nos dedos e mãos, importantes no momento da alfabetização.
- Melhor ainda é tirar a tarde de Sábado para ensiná-lo a fazer bola de meia, figuras em papel machê (mistura de jornal, água e cola), a jogar fubeca, brincar de amarelinha ou andar de bicicleta. Deixe que ele chame as crianças do prédio inteiro para brincar de cabra-cega, mesmo que seja no seu apartamento. É assim que ele aprenderá a ser um adulto sociável.
Brincadeiras tradicionais são manifestações da sabedoria e da cultura popular. Se você já esqueceu como é que se brincava quando era pequeno, aprenda de novo e passe adiante.

Pegador (pega-pega)

Muito simples, não exige nenhum recurso além de um pouco de espaço. Escolhe-se uma criança para ser o pegador. Ele deve correr atrás das outras crianças até encostar a mão em uma. A criança que foi pega passa a ser o novo pegador e assim por diante. Há inúmeras variações da brincadeira. A mais comum é estabelecer um ou mais locais como pique: a criança que encostar a mão nesse local não poderá ser pega.

Esconde-esconde (pique-esconde)
Primeiro, é escolhido um pique, lugar onde as crianças vão “bater seu nome”. Enquanto uma fica no pique e conta até um certo número pré-estabelecido, normalmente voltada para a parede, as outras se escondem. No fim da contagem, o pegador avisa “Lá vou eu!” e sai à procura dos participantes. Ao encontrar um, deve chegar antes no pique e gritar o nome da pessoa. Se a “descoberta” chegar antes e gritar seu nome, estará salva. O novo pegador é escolhido entre aqueles que não conseguiram se salvar.

Cabra-cega
É uma variação do pega-pega, com as mesmas regras, só que o pegador fica com os olhos vendados. Para conseguir pegar alguém, deve ficar atento a todos os sons. Normalmente, é proibido que os participantes se afastem demais. Uma forma alternativa é o gato-mia, geralmente realizado numa sala escura e sem venda. Quando o pegador encostar em alguém, deve dizer “o gato mia”. A crianças que foi pega deve então imitar os miados de um gato e o pegador deve descobrir q uem é apenas pelo “miau”. Se acertar, a pessoa passará a pegar.

Pega ladrão (polícia e ladrão)
São formadas duas equipes com a mesma quantidade de pessoas: uma dos policiais, uma dos ladrões. Escolhe-se um local para ser a cadeia, que pode ser um círculo marcado com giz. Os ladrões têm tempo determinado para fugir, depois os policiais saem da cadeia e correm atrás deles para levar para a prisão. Quando todos os ladrões forem pegos, os times se invertem.

Quente ou frio (chicotinho queimado)
De regras simples, pode ser brincado por apenas duas crianças. Uma delas esconde um objeto e as demais procurar por ele. Conforme se aproximarem ou distanciarem, quem escondeu dirá se está quente (mais próximo) ou frio (mais longe). Pode também dizer se está esquentando, esfriando, pelando (ao lado do objeto), etc. Quem encontrar esconde da próxima vez.

Telefone sem fio
As crianças sentam-se em círculo. Uma delas fala uma palavra ou expressão no ouvido da que está à sua esquerda. Esta retransmite a palavra, conforme tenha entendido para a criança seguinte. Normalmente é proibido repetir. A última criança a ouvir fala para todos o que escutou, freqüentemente uma coisa sem nenhuma relação com a primeira.

 

 

Mito atrapalha desejo sexual


Por: Joel Rennó Jr. - coordenador geral do Pró-Mulher, Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.
Publicada no Jornal Diário de São Paulo – 18 de Outubro de 2005


Na semana passada, eu conceituei o desejo sexual hipoativo (DSH) e descrevi os fatores orgânicos que podem levar à diminuição da libidofeminina. Quando não há uma constatação de ordem orgânica, para as disfunções sexuais, é fundamental trabalharmos com os aspectos psicossociais e culturais. As disfunções sexuais, nas quais encontra-se a falta do desejo, surgem comumente de atitudes; o modo de pensar, sentir e agir; do comportamento, resultante do potencial herdado, e também do meio fisico e do aprendizado sociocultural. É durante a infância, basicamente, que se dá o inicio do aprendizado do viver ou da convivência em sociedade, ou seja, é nessa fase em que a pessoa adquire suas primeiras normas e padrões de comportamento a serem seguidas ao longo de sua vida. Por meio das instituições, o indivíduo introjeta os padrões de conduta, normalmente estereotipados, e que não oferecem opções de escolha ao mesmo. Quando a pessoa não é capaz de fazer a escolha entre o que lhe foi imposto, através da cultura, e o que de fato quer para si mesmo, é que aparecem as disfunções sexuais (falta desejo ou desejo sexual hipoativo). Outro fator desencadeante de disfunção sexual é o que se chama de “mito”. São, na verdade, tabus e crendices – “idéias ou conjunto de idéias com forte conteúdo emocional que quer impor-se como verdade”. Os mitos apresentam a realidade de forma distorcida e não possuem nenhum valor cientifico. Valores e informações são repassados de pai para filho, por vezes, contendo falhas do passado, perdendo sua autenticidade. O que também podem interferir de uma forma negativa na sexualidade. Abaixo, exemplos de alguns mitos que podem influenciar na falta de desejo sexual feminino, segundo Lopes, em Sexualidade Humana, além do que observo com tais pacientes, em minha prática clínica:
“O hímen é prova da virgindade”.
“O desejo e a potência sexual diminuem sensivelmente depois dos 40-50 anos”.

 


 
“As mulheres não sentem desejo sexual durante a gestação”.
“O coito durante o período menstrual traz um risco de infecção na mulher”.
“O tamanho do pênis influi no prazer”.
“O homem nunca falha”.
“Quanto maior a freqüência, maior é o desgaste (sexual, psíquico, físico, etc.)”.
“A virgindade é o tesouro da mulher”.
“A mulher tem menos necessidade que o homem”.
“Na mulher, o gozo é mais espiritual que corporal”.
“As mulheres frígidas o são por natureza e jamais conheceram orgasmo”.
“A menopausa assinala o fim da vida sexual da mulher”.
“O álcool é um estimulante sexual”.
“Sexualmente, a mulher é passiva e o homem é ativo”.
“Se a mulher não é charmosa e jovem não pode gozar de uma boa relação”.
“A mulher deve entregar-se ao homem para satisfazer o desejo dele”.
“A mulher não deve ter a iniciativa frente ao sexo”.
“A mulher não deve dar conhecimentos de suas preferências eróticas para não ferir o seu companheiro”.
“A mulher não deve ter relações sexuais durante a menstruação”.
“O orgasmo deve ser simultâneo com o do homem”.
“A mulher deve dar por finalizado o ato sexual logo que o homem tenha ejaculado”.
“A mulher que vivencia o sexo deve amar o seu parceiro”.

Sem memória não há aprendizagem


Por: Everton Sougey, Elvira Souza Lima, Ivãn Izqulerdo, Leila Vasconcelos, Paulo Caramelll - Publicada na Revista Escola – Edição junho/julho 2003

Durante séculos, na escola, memorizar foi sinônimo de decorar nomes, datas e fórmulas. Afinal, eram esses os conhecimentos sempre exigidos nas provas, nas chamadas e nos testes. Com base nos estudos sobre o processo de aprendizagem da criança, concluiu-se que a decoreba era inimiga da educação. E a memória – confundida com repetição – foi posta de castigo.
Um grande erro. A memória é a base de todo o saber – e, por que não dizer, de toda a existência humana, desde o nascimento. Como tal, deve ser trabalhada e estimulada. “É ela que dá significado ao cotidiano e nos permite acumular experiências para utilizar durante toda a vida”, afirma a psicóloga e antropóloga Elvira Souza Lima, especialista em desenvolvimento humano.
Nos últimos 20 anos, a neurociência avançou muito nas descobertas sobre o funcionamento do cérebro. Hoje sabe-se o que acontece quando ele está captando, analisando e transformando estímulos em conhecimento e o que ocorre nas células nervosas quando elas são requisitadas a se lembrar o que já foi aprendido. “Com isso, o professor pode aprimorar suas estratégias de ensino”, diz o neuropsiquiatra Everton Sougey, coordenador do curso de pós-graduação em Neuropsicologia da Universidade Federal de Pernambuco. Estão provadas, por exemplo, as vantagens de estabelecer ligações com o conhecimento prévio do aluno ao introduzir um novo assunto e de trabalhar também a emoção em sala de aula. O cérebro responde positivamente a essas situações, ajudando a fixar não somente fatos, mas também conceitos e procedimentos.

O valor do conhecimento prévio
Quando assiste aula, o estudante recebe informações de todo tipo, tanto visuais como auditivas. Elas se transformam em estímulos para o cérebro e circulam pelo córtex cerebral antes de serem arquivadas ou descartadas. Sempre que encontram um arquivo já formado (o tal conhecimento prévio) arrumam um “gancho” para o seu armazenamento fazendo com que no futuro ela seja resgatada mais facilmente. “É como se o recém-chegado fosse morar em uma nova casa, mas em rua conhecida”, ilustra Elvira Lima. Quando essa informação é resgatada da memória, trilha os mais variados caminhos. Se eles já tiverem sido percorridos anteriormente, a recuperação de conhecimentos será simples e rápida. O que não tem nada a ver com decoreba
“Se o estudante não aprende um conteúdo é porque não encontrou nenhuma referência nos arquivos já formados para abrigar a nova informação e, com isso, a aprendizagem não ocorreu. Não adianta insistir no mesmo tipo de explicação”, ressalta a neuropsicóloga Leila Vasconcelos, da Universidade Federal de Pernambuco. Cabe ao professor oferecer outras conexões. Como? Usando abordagens diferentes e estimulando outros sentidos. Daí a importância de investigar os conhecimentos prévios da turma, recordar conteúdos de aulas anteriores, para formar os “ganchos”, e dispor de diferentes estratégias de ensino.

Teoria
“Somos aquilo que recordamos”, conceitua Iván Izqulerdo, professor de Neuroquímica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ele dá um exemplo: nenhum texto é compreendido se não se lembra o significado das palavras e a estrutura do idioma utilizado. Tudo isso precisa estar registrado no cérebro para ser resgatado no momento oportuno. A memória, enfatiza Elvira Lima, é a reprodução mental das experiências captadas pelo corpo por meio dos movimentos e dos sentidos. Essas representações são evocadas na hora de executar atividades, tomar decisões e resolver problemas, na escola e na vida.

Criando elaborações mentais
I O cérebro funciona em módulos cooperativos, que se ajudam na hora de recuperar informações. Quanto mais caminhos levarem a elas, mais fácil será o “resgate’. Exemplo: se um conceito está conectado simultaneamente a uma imagem e a um som, pelo menos três áreas diferentes do cérebro trabalharão para recuperá-lo. Por isso, inventar uma imagem simbólica – associar conceitos a formas, palavras a sons, cores a significados e assim por diante - é um hábito extremamente saudável. “Sair do concreto faz com que determinada informação seja guardada sob várias chaves, como se fossem fichas de armazenamento, facilitando a consulta”, destaca Jiitka Soskova, psicóloga checa especialista em inteligência artificial. As fórmulas mnemônicas (criação de letra para música conhecida, versinhos rimados, frases engraçadas) são outros exemplos de associações que levam à memorização. Ofereça esses mecanismos e estimule cada aluno a criar as próprias ações para conteúdos que devem ser armazenados.

O papel da emoção
Sentimentos regulam e estimulam a formação e a evocação de memórias. São eles que provocam a produção e a interação de hormônios, fazendo com que os estímulos nervosos circulem mais nos neurônios. Graças a esse fenômeno cerebral é mais fácil para uma criança lembrar-se do processo de fotossíntese se ligar esse conteúdo de Ciências a uma planta que tem em casa ou à árvore em que costuma subir quando está em férias na casa da vovó.

Memória inconsciente
Algumas lembranças ficam “escondidas” porque estamos expostos a mais informações do que conseguimos guardar. Aparentemente perdidas, elas ficam num lugar do cérebro chamado inconsciente. Ninguém sabe explicar exatamente por que, mas elas voltam à consciência sem que o indivíduo controle. Pesquisas mostram que isso sempre ocorre em alguma circunstância especial, quando algum fato ou informação evoca lembranças que se julgavam perdidas.

Esquecer para lembrar
O esquecimento (de fato) é o descarte de algo pouco importante que só serve para sobrecarregar os mecanismos de memorização. É fundamental no processo de aprendizagem, porque deixa o caminho livre para que as informações e conteúdos fundamentais sejam arquivados. Uma pessoa que conhece os conceitos do presidencialismo e parlamentarismo (importante) pode explicar a diferença entre os dois a qualquer interlocutor em qualquer momento de sua vida, mas provavelmente jamais se lembrará do dia em que aprendeu isso nem da roupa que o professor usava na hora em que o assunto foi discutido em classe (pouco importante). O cérebro jogou fora detalhes, mas o conhecimento foi arquivado e depois conectado com outras informações correlatas, formando novos arquivos.

Um arquivo organizado
O cérebro é dividido por uma fenda de dois hemisférios, que são segmentados em lobos, regiões demarcadas sem muita nitidez. As informações captadas pela visão, pela audição, pelo olfato, pelo paladar e pelo tato provocam impulsos elétricos e reações químicas em lobos diferentes e não são guardadas da maneira como foram captadas. Elas são fragmentadas, classificadas e hierarquizadas.

 

 

Paulo Caramelll, especialista em neurologia cognitiva do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, explica que tanto novas informações quanto as já armazenadas, depois de conectadas e reelaboradas, passam obrigatoriamente pelo hipocampo (H), estrutura que fica sob os dois hemisférios. De lá as informações são espalhadas por toda a superfície do cérebro, o córtex. A classificação e o armazenamento de informações são tão específicos a ponto de, dentro do “arquivo” linguagem, uma “pasta” guarda verbos, outra, substantivos e assim por diante.

Uma rede bem montada
Sempre que você oferecer informações de diferentes naturezas sobre um mesmo conteúdo, estará ajudando o aluno a formar um aprendizado e um conhecimento que poderá durar por toda a vida. Fornecendo imagens, sons, a possibilidade de usar o corpo em movimentos e produzindo emoções, diversas partes do cérebro serão ativadas quando esse conteúdo precisar ser resgatado, tornando a lembrança mais fácil. E ao unir esse conteúdo a um conhecimento prévio, serão traçados vários caminhos que tornarão o aprendizado mais eficaz.

Tipos de memória
Acredita-se existirem tantas memórias quantas forem as experiências acumuladas e, com isso, a capacidade de armazenamento de informações seria imensa. Aqui vamos falar apenas da capacidade geral do homem de captar, armazenar e lembrar informações. Por isso, grosso modo, a memória pode ser classificada da seguinte maneira:


1. Pela sua duração
- Memória de curto prazo: Sobrevive o tempo necessário para a informação ser utilizada. Exemplo: qualquer conteúdo que é decorado para uma prova permanece no cérebro até o aluno entregar o documento ao professor. Se ele tiver boa nota, talvez nunca mais se lembre do que estudou. Não forma arquivos. Só vira memória de longo prazo se encontrar vínculo com outra informação já armazenada ou pela repetição.
Memória de longo prazo: Fica mais tempo no cérebro e é aquela que todo professor gostaria de fomentar em seus alunos. Quando dura anos, vira memória remota. Uma informação permanece no cérebro porque, quando foi apreendida, seus estímulos geraram novas sinapses, desencadearam síntese de proteínas, ativaram genes e provocaram a sua consolidação como conhecimento apreendido.
A memória de trabalho ou ativa: não se encaixa em nenhuma das categorias anteriores. É assim chamada por analogia com a memória dos computadores. Ivãn Izquierdo define a como “gerenciadora da realidade”, ela conecta as informações da memória de curto prazo com as já arquivadas para comparar, analisar, decidir ou não abrir um novo arquivo. Ele dá o exemplo: conservamos na consciência algumas palavras utilizadas no início desta frase somente para compreender o significado da sentença. Depois esquecemos o termo exato, mas conservamos na memória a idéia principal. É também aquela que o aluno usa ao receber suas instruções antes de realizar uma atividade, ao recordar as orientações no momento da execução. Essa memória usa as capacidades do córtex pré-frontal do cérebro, lugar das chamadas funções cerebrais superiores, como a tomada de decisão, a análise crítica, o julgamento.
2. Pelo seu conteúdo – Memória declarativa: A episódica ou autobiográfica guarda os fatos vividos pelo indivíduo, como o primeiro encontro com a pessoa amada ou uma aula especial, em que algo inusitado tenha acontecido (um teatrinho, show ou uma situação que despertou algum tipo de emoção no aluno).
A semântica: a mais importante durante o aprendizado – arquiva os conhecimentos gerais como o significado de palavras e conceitos.
Memória de procedimentos:é composta pelas habilidades motoras ou sensoriais. Como andar de bicicleta ou a maneira de proceder diante de determinadas experiências realizadas na escola. Muitas vezes, pela observação e pelo treinamento, esses conhecimentos são arquivados de maneira implícita, sem que haja consciência do aprendizado.

Entenda o cérebro e ensine melhor
Ao conhecer o funcionamento da memória, você pode planejar ações para ajudar a turma a armazenar e evocar conhecimentos. Confira algumas estratégias:
- Estabelecer relações entre novos conteúdos e aprendizados anteriores faz com que o caminho daquela informação seja percorrido novamente (evocação), tornando mais fácil seu reconhecimento.
- Criar elaborações mentais envolvendo recursos como sons, imagens, fantasias e significados e (por que não?) humor permite que várias áreas do cérebro trabalhem simultaneamente no resgate de informações e estimula a memória.
- Utilizar gráficos, diagramas, tabelas e organogramas para classificar as informações faz com que o cérebro tenha mais facilidade para armazená-las e, portanto, resgata-as com mais facilidade.
- Reservar os últimos minutos da aula para conversar sobre o conteúdo estudado possibilita que o novo conhecimento percorra mais uma vez o caminho no cérebro dos estudantes. Assim, eles fazem uma releitura do que aprenderam.
- Usar brincadeiras, dramatizações ou jogos para levar a emoção à classe favorece a aprendizagem. Isso só funciona se houver relação entre o conteúdo e a situação lúdica.

A evolução vem com a idade
Até ao 9 meses, o bebê já tem praticamente a quantidade definitiva de neurônios. São raras as pessoas que se lembram de fatos ocorridos antes dos 4 anos de idade. Nos primeiros anos de vida, os dois hemisférios cerebrais ainda não estão totalmente formados e os feixes de neurônios que fazem a comunicação entre o lado esquerdo e o direito ainda não foram consolidados. Nem todo mundo se desenvolve exatamente do mesmo jeito, mas pode-se dizer que, em geral até os 7 anos de idade a memória visual é mais dinâmica – daí por que o desenho deve ser bastante utilizado nessa fase. Se for bem estimulada, por volta dos 9 ou 10 anos a criança começa a usar o raciocínio abstrato – e o material pedagógico deixa de ser tão útil na ativação da memória. Segundo Mel Levine, pediatra e professor da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, é nessa idade que se constroem os padrões e as regras que permitirão reconhecer dados semelhantes. Depois dos 13 ou 14 anos é hora de aprimorar as habilidades matemáticas e de leitura e escrita, pois elas podem ser resgatadas da memória automaticamente. Nos adolescentes, a informação circula em altíssima velocidade no cérebro – cada hemisfério sabe o que o outro guarda e faz. A maioria dos estudantes é capaz de criar estratégias próprias para armazenar dados, estabelecendo relações com sua vida, suas fantasias e seus conhecimentos prévios. Por volta dos 70 anos, quando não é estimulada, a memória pode começara a falhar em algumas pessoas.